Meu amigo Dinho zapeou o blog e fez uma (justa) reclamação: “cade a minha pousada?”. Ele tem razão. Em 2003 ainda não tínhamos um amigo chamado Dinho, mas tínhamos milhas para gastar. E não foi difícil optar por Natal, RN, a terra do sol. Eu já tinha estado lá anteriormente, foi uma passagem rápida durante uma estada em Fernando de Noronha. Nada melhor do que uma nova e mais longa estadia para explorar a cidade.

Por indicação de amigos resolvemos aproveitar alguns dias em Pipa, uma praia que estava ficando conhecida entre os descolados e ficava a apenas 1 hora de Natal. A recomendação foi que nos hospedássemos na Pousada Xamã. Lá fomos nós. Pegamos uma van na rodoviária de Natal e seguimos viagem, passando por vilarejos e lindas falésias.

Ao chegarmos no local, fomos calorosamente recebidos pelo Seu Antonio e a Dona Neuza (pais do Dinho), e um acolhedor café com bolo enquanto esperávamos pelo nosso quarto, trocando ‘um dedo de prosa’.

A pousada – em torno da piscina – era cercada de um lindo e florido jardim, que atraía beijas-flores e macaquinhos. Além de um simpático labrador. E todos os dias Seu Antonio e Dona Neuza se esmeravam em cuidar da pousada, das plantas, das refeições, dos animais, dos detalhes e dos hóspedes. Dias depois conhecemos o Dinho (pessoalmente, porque antes só havíamos falado por telefone), ‘empreendedor e CEO’ da pousada.

Contei esta longa história pra falar sobre todos os Seus Antonios e Donas Neuzas que transformam meras estadias em momentos muito especiais. Inesquecíveis. São pessoas desconhecidas que se tornam queridas pela maneira como nos acolhem, e que transformam pousadas em hotéis 5 estrelas pela exclusividade com que tratam seus hóspedes.

O Brasil tem este dom. Ao mesmo tempo em que muitas vezes não há uma sistematização da operação (por mais esforços que entidades como o SEBRAE façam), abre-se um (bem vindo) espaço para a simpatia e a criatividade do brasileiro na arte de receber. Isso transforma a qualificação da operação. Faz com que a experiência seja memorável, fidelize, e que se multiplique aos 4 ventos levando novas pessoas a estes destinos.

Lembro de outra pousada simpática, Pousada do Pôr do Sol em Prado, Sul da Bahia, onde fomos recebidos pela família que morava lá (e alguns funcionários). Nos sentimos hospedados na casa de conhecidos. E entramos na rotina como se fizéssemos parte da família.

Enquanto houverem pessoas como Seu Antonio e a Dona Neuza, a hospedagem em pousadas continuará sendo uma excelente opção para quem gosta de viajar, fazer novas amizades e ainda assim se sentir em casa. O difícil é a hora de partir.

Ah, e o Dinho? Ele nos levou passear pelas redondezas de Pipa, como um parente distante que nos guia pela sua cidade, e depois nos acolheu em sua casa em Natal por alguns dias. Se tornou um grande amigo.

Recentemente meus tios foram pra lá e se esmeraram na Pousada Xamã, que está ainda mais completa e linda do que tínhamos em nossa memória. Planejamos voltar com as crianças.