Meus amigos sempre se divertiram com nosso espírito aventureiro, outros nunca entenderam como isso foi possível, outros – ainda – sempre nos olharam com um “loucos!” estampado na testa. Mas a verdade é que com mínimo de planejamento e organização, e uma dose de aventura, fica tudo muito fácil.

Para incentivar aqueles que deixaram transparecer uma pontinha de inveja das boas, compartilho algumas dicas da nossa última viagem para Fernando de Noronha para encorajá-los a fazer o mesmo.

Neste post eu conto como foi viajar para Fernando de Noronha com uma criança de 3 anos e um bebê de 4 meses.

Trilha de Atalaia

Os Preparativos Antes de Viajar

Antes de viajar testamos o protetor solar na pele da bebê (60, claro) e o repelente próprio para crianças (fazemos isso para ver se não causam alergias já que estamos num ambiente com acesso ao médico).

Por um tempo, também acostumamos a bebê a passear no canguru, um acessório perfeito para a viagem.

Tomamos o cuidado de levar todos os acessórios necessários, desde fraldas de praia até um kit de remédios.

O celular do pediatra estava bem acessível, mas Noronha tem hospital, e alguns remédios básicos você encontra por lá (ainda que sejam caros).

A ilha já conta, também, com 2 supermercados que vendem fraldas, papinhas e tudo o que você precisar, inclusive brinquedos.

Não fechamos nenhum passeio antecipadamente, deixamos para decidir lá o que fazer, conforme as crianças se adaptassem ao local. Mas levei meu log Book, e consegui mergulhar.

Escolhemos uma pousada com piscina, caso tivéssemos que ficar por lá e distrair o pequeno. Mas descobri que a Pousada do Marcílio até parquinho tinha. Da próxima vez, quero ficar lá.

A Viagem

O avião é uma parte bem sossegada da viagem. Se você trabalhar bem esta parte, vai saber transformar até o check-in em algo divertido.

(Leia aqui Como Viajar de Avião – tranquilamente – com as crianças)

A espera pelo embarque foi uma delícia: cheia de aviões partindo e chegando. Uma diversão para os pequenos.

Já a viagem em si requer mais jogo de cintura e acessórios: DVD portátil, comidinhas, lápis e livrinho de colorir, e muita paciência para ir algumas vezes ao banheiro. Felizmente na segunda perna do vôo, de Recife ou Natal para Noronha, tudo é muito rápido.

A chegada em Noronha é quase uma experiência de alfândega, mas pagando as taxas ambientais antecipadamente pela internet torna tudo mais rápido.

Geralmente as bagagens também chegam rapidamente e os traslados já estão munidos de listas de hóspedes, nos aguardando.

 

O dia a dia em Fernando de Noronha com Crianças

Para aproveitarmos bem a viagem, planejamos o seguinte esquema:

  • acordar bem cedo, tomar um café reforçado e sair para explorar uma determinada praia;
  • nos deslocamos com táxis (baratíssimos, era só ligar e em 5 minutos chegavam em qualquer lugar, hora pedíamos buggy, hora carro fechado);
  • sempre levávamos mochilas com: papinhas prontas, água, leite em pó (a bebê só mamava no peito), protetor solar, repelente, fralda, saquinhos para o lixo, canga e guarda sol (emprestado da pousada);
  • programávamos o retorno por volta do meio dia para a pousada, quando pegávamos uma piscina (enquanto a bebe tomava banho);
  • almoçávamos em algum lugar proximo (por isso optamos pelo bairro da Floresta);
  • dormíamos por 2 horas até o sol baixar;
  • por volta das 15 horas retornávamos para alguma outra praia (de táxi) e curtíamos até o por do sol;
  • após uma sessão de banho (levamos uma piscina inflável para a bebê), jantávamos e íamos dormir bem cedo. Foi a melhor coisa que fizemos. As crianças rapidamente entraram na rotina.

Refeições

Uma dica de ouro que guardo desde a primeira vez que pisei na ilha: nada de suco de fruta natural ou gelo para evitar disfunções gastrointestinais. Ficamos à base de cerveja e as crianças, água mineral engarrafada.

Para o pequeno pegávamos arroz, feijão e um peixe ou frango nos restaurantes a quilo e levávamos lanchinhos e bolachas para ele beliscar. Para nós, restaurantes e pratos mais elaborados (a culinária de lá é ótima). A bebê só mamava no peito (a dica é levar um lenço umedecido e fazer a higiene local antes de amamentar).

As noites

Como era de se esperar, os dias estavam bem quentes, cerca de 30 graus à sombra, mas felizmente no quarto tínhamos como aliado o ar condicionado (mesmo as pousadas mais simples, como a nossa, têm ar condicionado).

Por causa da bebê, regulávamos a temperatura do ar condicionado entre 22 e 24 graus e conseguíamos ter ótimas noites de sono, sem prejudicar a saúde dela.

Passeios em Noronha com as Crianças

Posso dizer que aproveitamos muito a viagem e as crianças mais ainda.

Visitamos a praia do Porto várias vezes (acho ela ótima para as crianças e para nós também, já que dá para ver todo o tipo de animal marinho), Caieira, Sueste, Cacimba do Padre, Baía Dos Porcos, Boldró, Bode, Cachorro e Conceição.

Fizemos a trilha da Praia do Leão (muito isolada e fechada) e a de Atalaia (1,5 km e cansativa para o pequeno, mas viável).

Em Atalaia foi a primeira praia em que a bebê entrou no mar, água mais cristalina e pura é impossível de achar (lá não se pode entrar nem com protetor solar na água). Anos antes fizéramos o mesmo com o filhote, que desta vez ele se encantou com os peixes, moréias, tubarões e caranguejos.

Contratamos um passeio de barco que foi perfeito. A bebê só dormiu e o filhote ficou apaixonado com as paisagens e os golfinhos. Inesquecível.

Eu consegui escapar para fazer o que considero como sendo um dos melhores mergulhos da minha vida.



As aberturas de ninhos de tartaruga foram espetáculos à parte, fomos ver duas vezes e o filhote se apaixonou.

A visita ao projeto TAMAR também foi ótima, cheia de atrativos. Assistimos aos filminhos, brincamos com as esculturas e adoramos a lojinha.

Outro ponto espetacular foi que nesta época (maio) pegamos um festival gastronônico com refeições espetaculares em diversos restaurantes. Não poderia ser mais perfeito.

Saldo final

As crianças adoraram tudo e se comportaram super bem. Como há pouca criança em Fernando de Noronha (sobretudo bebês), eles são mimados por onde passam: todos querem ver, tocar, falar, brincar, pegar.

O filhote também fez um amiguinho: o Pauê (assim mesmo). E – mais uma vez – nós tivemos certeza de que fizemos a escolha certa (leia o post sobre “A não viagem dos sonhos”).

E você, se animou a encarar a aventura?

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