Esta semana um dos principais veículos de comunicação da Nova Zelândia, o Stuff, publicou o que será uma série de reportagens falando sobre a dualidade de Auckland: a maior, mais populosa e mais próspera cidade do país, com seus mais de  1,8 Milhão de habitantes, responsável por produzir cerca de 38% do PIB do país e com uma média de renda familiar anual em torno de NZD 76.500,00, onde os constrastes despontam quando se compara o índice de prosperidade de cada um dos seus 21 subdistritos.

Trata-se da série de reportagens “A Tale of Two Cities: The inequality that divides Auckland” (em tradução livre “Um conto de duas cidades: a desigualdade que divide Auckland” e que pode ser lido integralmente em 3 partes, em inglês).

A questão principal é que o Auckland Turism, Event & Economic Development (ATEED) e o Infometrics – órgãos do governo – identificaram uma série de questões sobre contrastes sociais em seu Índice de Prosperidade de Auckland, e foi com base nestes dados que foi feita a reportagem.

O índice mede a prosperidade dos 21 subdistritos usando um total de 24 indicadores. Estes, por sua vez, foram agrupados em 6 domínios: habilidades e força de trabalho, demografia, conectividade, atividade comercial, qualidade econômica e prosperidade das famílias (que, segundo o ATEED, são aquelas com alta renda, emprego, renda disponível, sem benefícios e com maior probabilidade de comprar sua casa própria).

Parte 1 – A Auckland Pobre

O ponto chave da primeira parte da reportagem é mostrar toda a dificuldade que uma boa parcela da população de Auckland – a classe média – enfrenta para conciliar sua renda (por vezes  até considerada alta) com o altíssimo custo de vida que da cidade. Pasmem: algumas dessas pessoas são altamente qualificadas, com PHD.

Ilustrada com algumas pessoas que abriram um pouco sobre suas vidas e suas batalhas, esta parte da reportagem mostra o quão gritante é esta diferença entre os distritos mais pobres e os mais prósperos (a média do índice de prosperidade familiar é de 4,7 de um total de 10 e no quadro abaixo é possível notar as disparidades).

Indice de Prosperidade de Auckland 2018
Fonte: “A Tale of Two Cities” from Stuff And NewsHub, 2018

Isso mostra que enquanto a cidade como um todo cresce, prospera e alcança resultados muito bons em desempenho econômico, somente uma parcela da população se beneficia deste quadro (Ōtara-Papatoetoe chega a ter renda familiar média até 22% mais baixa do que a média da cidade).

A questão é antiga, segundo a reportagem, sempre existiu, mas o que chamou a atenção é o crescimento desta distância nos últimos tempos.

Outro ponto bastante importante é que estas regiões requerem mais investimentos para que seja possível diminuir esta distância e dar oportunidades para prosperar no longo prazo.

Parte 2 – A Auckland Rica

Os 5 subdistritos de maior GDP de Auckland são maiores até do que as cidades de Christchurch, Wellington City, Hamilton e Dunedin somadas. Lá está cerca de 28% da população e também concentra os mais altos índices de educação e, portanto, mão de obra qualificada.

Indice de Prosperidade de Auckland 2018 - Os mais Ricos
“A Tale of 2 Cities” part 2 – Stuff

As regiões central e norte de Auckland estão entre as que possuem melhores índices e um dos fatores que pode influenciar isso é o fato de terem acesso fácil ao centro comercial da cidade (o CBD), onde também estão as melhores vagas de trabalho e posições mais qualificadas.

Parte 3 – Para onde caminham as duas cidades

Cerca de 1 em cada 4 moradores de Auckland vivem nos cinco subdistritos do sul identificados como tendo o mais baixo índice de prosperidade e o grande desafio está em quebrar este ciclo.

Uma grande parcela das crianças (mais de 57 mil) frequenta escolas qualificadas como sendo de baixo decil, o que significa que a região onde se encontram possui baixo poder econômico e, portanto, recebem mais recursos do governo para compensar esta diferença. Somadas a isso está o fato de que estas crianças enfrentam grandes dificudades em seus lares – e isso também pesa sobre a qualidade da educação.

Auckland está em um período de alto crescimento, preços de propriedade, crescimento econômico, mas não está beneficiando toda Auckland e isso realmente mostra quem está perdendo.

Também, o número alto de pessoas recebendo benefícios sociais, ainda que estejam em áreas consideradas como sendo de bom crescimento e com boas taxas de empregabilidade gera preocupação.

A reportagem termina com algumas possíveis soluções que já estão sendo testadas e podem ser replicadas para aumentar os benefícios que podem gerar.

Empresas de tecnologia são o grande destaque, demandando por mão de obra qualificada, a qual geralmente se “importa” por meio de imigrantes, mas ainda assim sobram vagas e faltam profissionais para preenche-las.

Conclusão

O objetivo deste post não era jogar um balde de água fria mas, sim, trazer um retrato fiel e embasado da realidade da cidade, para que se possa fazer um contraponto a todos os lados positivos que costumo enumerar por aqui no blog, sobretudo às grandes oportunidades que existem na região (em se tratando de estudo e trabalho).

Acho fundamental levar em consideração esta série de reportagens caso estejam buscando alguma orientação sobre como é e onde morar em Auckland.

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