Dando continuidade a um retrato de como funciona a educação na Nova Zelândia (aqui está o link para o primeiro post), vou falar sobre o dia a dia na escola primária e fazer algumas considerações sobre como isso impacta a vida das crianças e da família.

DIA A DIA NA ESCOLA PRIMÁRIA

O horário da escola primária é das 8h30 (na verdade as crianças podem chegar a partir deste horário, só que a aula só começa às 9h) até as 15h (algumas escolas vão até as 15h30).

Nas escolas não há muros ou portões. Nem bedéis, porteiros ou seguranças. Este é um grande choque para os brasileiros. Como assim as crianças de 5 aninhos ficam num ambiente assim e não saem correndo por aí? Pois é… surpreendentemente elas não saem.

As escolas são bem grandes, têm área verde e quadras abertas, algumas com piscina (geralmente a área da piscina é fechada para evitar acidentes), quadra fechada, auditório, biblioteca (às vezes mais de uma), sala de multimídia, parquinho (algumas vezes mais do que um) e outras áreas.

As crianças podem ir sozinhas ou com os pais e responsáveis para a escola (eles recomendam que isso aconteça somente a partir dos 7 anos) e elas mesmas vão para as salas de aula, colocam o material no lugar e saem para brincar pela escola. Quando o primeiro sino toca elas voltam para a área em frente à sua sala de aula. Ao tocar o segundo sino elas entram na sala de aula. Sozinhas e sem nenhum adulto vigiando. Isso é autonomia.

 

 

Cada sala de aula tem seu professor (somente um) e ele faz a chamada. Se a criança não está na escola, imediatamente os pais são notificados por telefone e e-mail, exigindo deles uma “satisfação” (justificativa).

Em casos especiais, pode-se ter outros reforço que a própria escola oferece (e às vezes o próprio professor, como o acesso a um software de leitura de livros com exercícios – que a criança faz em aula e em casa), software de matemática (com exercícios e atividades que conectam as crianças com crianças do mundo todo, numa espécie de competição), softwares de criação de histórias e outros recursos que os professores vão compartilhando.

A comunicação professor – escola é livre, e eles têm e-mails específicos para falar com os pais e autonomia para  marcar conversas pessoais na escola, caso a criança precise ou os pais tenham alguma questão a conversar. Caso contrário, há os ‘reports’, os diplomas de reconhecimento e o e-mail semanal que a escola envia com as atividades.

Mensalmente há a “general assembly”, com todos os alunos (e pais, caso queiram participar), onde cada vez um ano apresenta alguma coisa especial que preparou. No mesmo dia, os diplomas e reconhecimentos são distribuídos para as crianças e classes que se destacaram.

O ANO LETIVO NA NOVA ZELÂNDIA

O ano letivo acompanha mais ou menos o do Brasil com as férias de verão acontecendo em dezembro/janeiro. Os “terms” (períodos equivalentes a bimestres) acontecem assim:

– Term 1: de fevereiro a abril (+ 2 semanas de férias)

– Term 2: de maio a julho (+2 semanas de férias)

– Term 3: de julho a setembro (+2 semanas de férias)

– Term 4: de outubro a dezembro (férias de meados de dezembro até o final de janeiro).

Ao fim do Term 4 as crianças mudam para o próximo ano.

ESPORTES

Outro ponto muito importante é o contato que a criança tem com atividades físicas. O tempo todo elas estão correndo, praticando atividades livres, brincando nos parquinhos, se pendurando sem ninguém ficar do lado segurando, jogando, e a educação física é parcialmente dada pelos professores, parcialmente dada por especialistas que vêm a escola para ensinar um esporte específico por um tempo curto (e geralmente pago à parte). Eles têm contato com todo tipo de esporte.

Há também aulas extracurriculares de esportes (rugbi, futebol e basquete, para os meninos, netball ou futebol para as meninas, mas muitos outros também como vela e surf ou esqui, por exemplo) e eles costumam participar seriamente, incluindo campeonatos inter escolares e até nacionais. Isso é muito forte por aqui.

 

 

ALIMENTAÇÃO  NA ESCOLA

Há duas paradas: o “tea time” (hora do lanche) e o “lunch time” (almoço). Mas, não há merenda nem área para esquentar a comida (e não dá para dar um jeitinho e mandar um marmitex para esquentar no microondas ou na tomada). Ou seja: tudo é frio. Temos que nos desdobrar para pensar em lanches e almoços improvisados para alimentar bem nossos pequenos. Todos os dias.

Há cantina na escola, mas não funciona todos os dias e o tipo de comida que tem é bem “lanche que a gente mesmo pode fazer e mandar”. Um desafio. Como se virar? Entrando no jogo e abrindo mão de servir o belo arroz, feijão e carninha de todo dia.

MEU FILHO NÃO FALA NADA DE INGLÊS!

Quanto menor, melhor. Ou seja, a criança mais nova terá mais facilidade, suporte e tempo para pegar o inglês. Já os mais velhos vão pegar “o bonde andando” e ter que se virar para alcançar a turma. Vai dar tudo certo, e em um ano eles estarão fluentes e com novos amigos. Mas ainda assim, conte com seu suporte para ajudar neste processo, porque vai ter que dar muito apoio, fazer muita atividade extra e dar muito carinho para facilitar o processo.

Não ache que seu filho será o único aluno internacional na escola. A maioria está apinhada de imigrantes e não dá para contar quantos são (porque são muitos). Talvez sejam os únicos brasileiros da escola, ou únicos latino-americanos, mas só isso, certamente haverá muitos europeus e asiáticos e os kiwis são muito receptivos e amigáveis.

Para alunos internacionais (há muitos nas escolas de Auckland, talvez o mesmo aconteça em algumas outras cidades maiores da Nova Zelândia), promovendo um ambiente bem diversificado. Estes costumam fazer aulas extras para dar um reforço no aprendizado da língua (sobretudo a fala e a escrita). É o ESOL (English for Speakers of Other Languages) e depende da escola para acontecer (porque as aulas acontecem dentro do dia letivo normal).

EXTRAS

Há passeios, dias especiais, gincanas, festinhas, aprendizados dentro da escola como extra e muita agitação. Portanto a escola promove várias atividades para que os pais possam participar da escola (eles podem inclusive ajudar a cuidar das crianças nos passeios), bem como para conhecer e socializar com outros pais e crianças. Muito bacana.

O lado negativo é que isso tudo tem um custo, mas nada exorbitante.

Aliás, por falar em extras,  as escolas costumam solicitar que os pais contribuam com doações para poderem manter as escolas (somente com o valor pago pelo governo não é possível atender à tudo). Também não é nada exorbitante e é opcional, mas todos acabam contribuindo.

SOBRE O HORÁRIO ESCOLAR

O horário é fixo em todas as escolas (9h – 15h). Não há período da manhã ou da tarde. A escola abrange os dois, o que é muito bom em termos de tempo e estudo.

Quem quiser que o filho entre antes e saia depois, por conta de trabalho, precisa procurar o Before-After School Care que algumas escolas têm também, mas é pago à parte e muitas vezes não tem vagas.

Percebo que muitas mães se desesperam com isso, porque não é fácil conseguir vaga num ‘child care’ para poder trabalhar período integral, e muitas vezes acabam não trabalhando por não valer a pena ou não conseguirem conciliar os horários.

Eu tentei conseguir ‘after school care’ e não consegui. Na escola deles não tem vaga este ano (estamos na lista de espera desde o começo do ano). Nos outros onde consegui vaga, não consigo transporte para levar as crianças até o local (tentei com uma empresa chamada Ritchies). Ou seja, é bem difícil.

A flexibilidade acaba ficando por conta dos empregadores (por mais incrível que isso possa parecer), eles costumam ter jornadas bem flexíveis para as mulheres poderem conciliar os filhos com o trabalho. Nós, brasileiras, acostumadas com outra realidade, até estranhamos isso.Felizmente há muitos empregos com jornadas de meio período ou período parcial, e com isso a missão de trabalhar não fica impossível.

CHILD CARE

Um adendo para as crianças bem pequeninas e bebês é que antes de completar os 5 anos de idade, a criança pode frequentar o Child Care, pago à parte. À partir dos 3 anos o governo subsidia 20 horas semanais para os pais que tiverem que colocar os filhos na escola. Alguns delas até aceitam bebês, mas para ter subsidio do governo, precisa ter 3 anos completos (entre outras exigências como ser residente ou cidadão).

Os horários são bem estranhos (cada dia da semana tem um horário, alguns não funcionam todos os dias, e começam por volta das 9h30 e encerram a partir das 11h30 (claro que alguns têm horários diferentes). Mas percebo que isso acaba sendo um empecilho para as mães que querem trabalhar.

Não sei como é a dinâmica de aulas porque meus filhos não chegaram a entrar em um aqui na Nova Zelândia, já chegaram na escola primária.

Por hora estas são as semelhanças e diferenças que encontrei por aqui. Quando tiver mais experiência, com a escola intermediária e secundária, por exemplo,  farei novos posts ;-D

Para saber mais sobre o sistema de ensino da Nova Zelândia

– Currículo Escolar da Nova Zelândia: clique aqui e aqui para baixar e ler o PDF;
– explicação oficial sobre o sistema de ensino da Nova Zelândia: clique aqui;
– o site oficial da Nova Zelândia que explica o NCEA e o NZQF: clique aqui
Como validar o Diploma Brasileiro na Nova Zelândia.

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